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JAYB e a Liderança que Libertou o GOT7

Como Im Jaebeom transformou identidade, estratégia e união em independência artística


16 de janeiro não marca apenas o aniversário de debut do GOT7. Marca o início de uma trajetória que, com o passar dos anos, se tornaria um raro exemplo de autonomia, maturidade e resistência dentro da indústria do K-pop. Em um sistema conhecido por controle rígido e assimetrias de poder, o GOT7 não apenas sobreviveu — saiu inteiro. No centro desse processo está JAYB, ou Im Jaebeom, cuja liderança sempre foi menos sobre autoridade e mais sobre direção.


Desde 2014, Jaebeom nunca se impôs como líder pela hierarquia. Sua postura foi a de quem observa, escuta e age no momento certo. Ele entendeu cedo que liderar sete personalidades distintas exigia inteligência emocional, paciência e um profundo respeito pelas individualidades. Em vez de centralizar decisões, criou um ambiente de confiança mútua, onde cada membro pudesse crescer sem que o grupo se fragmentasse. Essa estabilidade emocional foi essencial para atravessar anos de frustrações criativas, agendas mal geridas e silêncios institucionais.

A liderança de JAYB também se manifestou de forma estratégica na construção da identidade artística do GOT7. Ao assumir gradualmente a produção e composição das músicas do grupo, ele não estava apenas buscando reconhecimento criativo. Estava consolidando autoria. Em uma indústria onde idols frequentemente são tratados como produtos descartáveis, Jaebeom transformou música em linguagem política: quem cria, detém narrativa; quem detém narrativa, constrói poder. Cada composição assinada era um passo silencioso rumo à autonomia.


Esse preparo ficou evidente no momento mais delicado da carreira do grupo: a saída da JYP Entertainment. Longe de ser uma decisão impulsiva, o rompimento foi coletivo, coordenado e cuidadosamente planejado. Nenhum membro renovou isoladamente. Não houve rupturas internas nem discursos inflamados. JAYB atuou como mediador, alinhando expectativas individuais a um objetivo comum: sair juntos ou não sair. Liderar, nesse momento, foi garantir consenso e proteger o coletivo de decisões fragmentadas.



O maior símbolo dessa liderança, no entanto, veio após a saída: o GOT7 manteve seu nome, sua marca e sua identidade. Em um cenário onde empresas raramente abrem mão desse tipo de controle, a recuperação dos direitos do grupo foi resultado de negociação estratégica, leitura institucional e firmeza silenciosa. Não houve confronto público, apenas clareza de valor. A mensagem era simples e poderosa: o GOT7 sabia exatamente quem era e o que representava.

Mesmo fora da JYP, JAYB nunca buscou centralizar os holofotes. Cada membro seguiu seu próprio caminho, em países diferentes, com estilos e carreiras distintas. Ainda assim, o discurso permaneceu o mesmo: GOT7 é sete. Essa é a marca de uma liderança madura, que não depende de controle, mas de confiança. Liderar, para Jaebeom, sempre foi sobre sustentar o espaço para que os outros também brilhassem.


No fim, a liderança de JAYB não se mede apenas em números, charts ou prêmios. Ela se mede em algo muito mais raro no K-pop: um grupo que saiu de um grande sistema sem perder sua essência, sua amizade e sua voz. No aniversário de debut do GOT7, celebrar Jaebeom é reconhecer que liderança também é saber esperar, proteger e, quando necessário, dizer não. Porque liberdade, como ele provou, não se pede — se constrói.

 
 
 

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